Às vezes, quando pensamos em arte, a primeira imagem que vem à mente é a de alguém inspirado, quase em transe, criando algo grandioso e de primeira… Mas será que ser artista é só isso? Ou será que existe um lado muito mais simples, humano e ao mesmo tempo, poderoso na criação? Simplesmente o de que, ser artista é fazer!
Tenho pensado bastante sobre essa frase: os artistas são fazedores. E quanto mais penso, mais faz sentido. Talvez não no sentido de estar sempre produzindo algo, mas no de se colocar em movimento, de transformar ideias em algo concreto, ainda que imperfeito.
Neste Artigo

Por trás da ideia do artista sempre inspirado
Muita gente acredita que artistas vivem de inspiração. Como se os quadros, as músicas, os poemas simplesmente surgissem, sem esforço,depois só esperassem o momento certo para serem revelados. Mas, convenhamos, não é bem assim. A maior parte do tempo, o que existe é trabalho, repetição, tentativa e erro.
Na verdade, a inspiração até aparece — mas ela encontra os artistas no meio do processo. Se a gente parar pra pensar, a arte nasce do gesto de fazer. E nem sempre vai ser bonito, ou nem sempre vai dar certo. Mas é no “fazer” que tudo acontece.
Artistas são fazedores… mas não são máquinas
Claro, não é uma questão de produtividade sem fim, como se o valor de um artista fosse medido pela quantidade de obras prontas. A ideia de ser um “fazedor” está mais ligada a se permitir experimentar, mesmo quando não sabemos onde aquilo vai nos levar.
É o rascunho no caderno, o ensaio desajeitado de uma música nova, a fotografia tremida que depois inspira outra completamente diferente. É dar pequenos passos, em vez de esperar o momento perfeito. Porque, sejamos sinceros: o “momento perfeito” nunca chega.
A prática criativa do dia a dia
Você já reparou como pequenas práticas diárias podem fazer diferença? Às vezes, carregar um caderninho para anotar ideias já abre espaço para que elas não se percam. Ou dedicar 15 minutos do seu dia a rabiscar, mesmo sem compromisso, pode virar um hábito que alimenta sua criatividade.
E aqui entra um ponto importante: artistas não vivem só de grandes obras, mas de pequenos exercícios. É como afiar as ferramentas todos os dias, mesmo quando não há um grande projeto à vista.
Talvez ser artista seja, em parte, isso: reconhecer que os pequenos gestos contam.
A sensação de nunca ser bom o bastante na arte
Uma coisa que sempre aparece quando falamos em criar é o medo. Medo de não estar pronto, de não ser ‘talentoso’, de sentir que não somos criativos o bastante. Quem nunca se sentiu assim?
Mas os artistas também sentem isso. E mesmo assim continuam.
Porque no fim das contas, não se trata de dom, mas de disposição. É mais sobre tentar do que sobre acertar de primeira. Sobre aceitar que errar faz parte do processo. Aliás, pode ser que o erro seja um dos maiores aliados da arte.
Errar, recomeçar, insistir
Quando a gente pensa em arte, costuma imaginar as obras que deram certo. Mas cada quadro famoso esconde dezenas de tentativas falhas. Cada música que emociona provavelmente nasceu depois de acordes desafinados.
E não é bonito pensar que a beleza vem justamente dessa teimosia em continuar?
Ser um “fazedor” é também aceitar que o caminho é cheio de tropeços, e que eles não diminuem a força da criação. Pelo contrário, a tornam ainda mais verdadeira.
A beleza de colocar a mão na massa
Há algo de libertador em simplesmente começar. Em não ficar preso apenas no plano das ideias. Em vez de esperar a coragem, muitas vezes é no ato de começar que a coragem aparece.
De certa forma, isso é libertador. Porque não precisamos ter certeza de nada antes de criar. Podemos apenas experimentar.
E fazer arte pode ser simples! O gesto de criar não precisa ser grandioso — precisa ser real e verdadeiro.
Ser artista no cotidiano
Talvez a parte mais bonita dessa reflexão seja perceber que não precisamos estar em um ateliê, com telas enormes e tintas caras, para viver como artistas. Ser artista pode estar no jeito de arrumar a casa, de escolher uma roupa, de registrar uma cena comum com o celular.
É como se a arte fosse menos sobre um “título” e mais sobre um jeito de viver.
E, no fundo, quando pensamos em “ser um fazedor”, não se trata apenas de produzir obras, mas de olhar para a vida com curiosidade e disposição para criar.
Uma conversa aberta
Claro, essa é só a minha visão. Talvez você pense diferente. Talvez, para você, ser artista não tenha nada a ver com “fazer”, e sim com sentir, observar, sonhar.
E tudo bem.Quem sabe se não é justamente essa diversidade de olhares que deixa a arte tão rica?!
O que importa é que, no fim das contas, todos nós temos a chance de experimentar a vida de um jeito criativo. E esse, pode ser o maior presente que a arte nos dá: a possibilidade de transformar o comum em algo cheio de significado.
Conclusão
Então, quando penso na frase “os artistas são fazedores”, entendo que é como um convite. Um convite para parar de esperar o momento perfeito, a inspiração divina, a obra-prima pronta. Em vez disso, simplesmente começar.
Começar pequeno, errar, recomeçar. E, nesse movimento, perceber que ser artista não é um título distante — é uma prática que pode estar ao alcance de qualquer um que se permita criar.
Talvez ser artista seja isso: viver como quem está sempre disposto a fazer, mesmo sem garantias.
E para você, o que é ser artista?
📌 Quando o medo de não ser bom o suficiente aparece, dar o primeiro passo pode parecer difícil — continue a leitura no artigo Medo de Não Ser Bom o Suficiente na Arte? e descubra como superar a autocrítica e começar a criar sem medo.





